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Historial do Cavalo do Sorraia

O Cavalo do Sorraia constitui uma população equina de características muito particulares e única no Mundo, recuperada e mantida pelo Dr. Ruy d’Andrade e seus descendentes. O nome do cavalo deriva do facto de terem sido identificados pela primeira vez, pelo Dr. Ruy d’Andrade, junto ao Rio Sorraia, conforme ele próprio descreve.

Há bastantes anos já eu notara que muitos poldros nascidos de éguas de pura raça andaluza, que eu criava no Alto Alentejo (região de Elvas), e outros que tenho visto na Andaluzia e na região do delta do Tejo, nasciam com pelagem amarelo palha zebrada, particularmente ainda mais evidente nos de pêlo baio e rato e também em muitos que, tornando-se posteriormente ruços, de todo perdem o zebrado da pelagem.

Mais tarde, em 1920, andando à caça na região de Coruche, no baixo Sorraia (…), deparei com uma manada de uns 30 indivíduos, mais de metade dos quais eram baios claros, alguns ratos, muitos zebrados e com aspecto absolutamente selvagem ou primitivo, como se fossem uma espécie de zebras ou hemiones. (…) Quis então reconstituir este tipo primitivo de cavalo no propósito de averiguar se realmente seria esta a origem dos nossos cavalos andaluzes (…) mas procurei obter na mesma região algumas éguas portadoras dos caracteres que então havia notado, comprando sete a vários criadores de Coruche e proximidades, com as quais constituí um grupo.” Ruy d’Andrade (1945)

Os estudos que desenvolveu relativamente aos cavalos ibéricos levaram Ruy d’Andrade a tentar reconstituir o cavalo primitivo peninsular com o intuito meramente zoológico de preservar um tipo de animal que é tido como reminiscência do ancestral selvagem do cavalo ibérico da região quente meridional.

Este cavalo existe na Península desde o Paleolítico Médio e está, assim, na origem dos actuais cavalos das raças Puro Sangue Lusitano e Pura Raza Española.

É a única raça portuguesa reconhecida com “particularmente ameaçada” nas Medidas Agro-Ambientais, dado o seu estatuto “crítico” quanto ao risco de extinção atribuído pela F.A.O., com um efectivo de poucas centenas de cabeças.

A população encontra-se fechada sobre si mesma desde a sua fundação, ou seja, não houve desde então qualquer introdução de outros animais para reprodução.

Descrição do Sorraia

É um dos poucos tipos de cavalos que apresentam caracteres primitivos. A sua pelagem é caracteristicamente rato ou baia, apresenta as extremidades mais escuras, lista de mulo e, frequentemente, lista axial, bem como variadas zebruras nos membros e por vezes na cabeça, características assumidas como primitivas dada a sua vasta representação em pinturas paleolíticas.

A defender a tese de relação ancestral do Cavalo do Sorraia com os actuais cavalos Lusitano e Espanhol, Ruy d’Andrade testemunha o facto de muito poldros destas raças nascerem com tons bastantes claros, baios ou acinzentados e muito zebrados, mudando de cor de pelagem com a idade e, frequentemente, perdendo as zebruras no adulto, denunciando o “fundo” ancestral das mesmas.


Descrição da Coudelaria

A coudelaria foi fundada com três éguas de ventre MACAENSE, MADRAÇA e JANOTA e um garanhão MANDRIÃO oriundos da Herdade de Font´Alva. Os primeiros nascimentos ocorreram em 1995, incluindo o macho OXALÁ (MANDRIÃO x JANOTA) que, desde Abril de 2004, foi cedido para padrear um grupo de éguas de Hardy Oelke que se encontram em liberdade no Refúgio do Vale do Zebro, num terreno de 5 km2 pertencente à Sociedade Agrícola das Cruzetinhas (Raposa, Coruche).

A égua mais velha do efectivo nacional, MACAENSE, morreu em 2004 com 24 anos. Do efectivo inicial apenas sobrevive a égua Janota, mas esta coudelaria tem tido uma taxa de nascimentos bastante regular, sendo considerável o seu efectivo actual (mais de 30 animais, entre machos e fêmeas).

Fotografias